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Didáticas para celulares em sala de aula (parte 2)



Resolvi disponibilizar mais partes do texto que apresentei semana passada, para mostrar aos leigos como umas ideias são ótimas ? porém, inviáveis. Só quem nunca entrou em uma sala de aula pode sugerir coisas como as que vou apresentar a seguir. Quem é professor costuma ler isso e rir. E tem razão!

?Usar o celular para como banco de dados - Na era das selfies (autorretrato), é interessante que o professor utilize a mania dos jovens de registrar momentos em prol da educação. Para usar esse recurso no ambiente educacional, o ideal é que o educador peça aos estudantes que tirem fotos sobre um assunto que esteja sendo ministrado em sala de aula a fim de montar um banco de imagens?.

?Se a disciplina for biologia ou ciências, por exemplo, o docente pode criar pastas para diferentes tipos de plantas ou insetos e solicitar que os alunos arquivem as fotografias de cada espécie que encontrarem, juntamente com informações importantes sobre elas?. Aqui fica a impressão de que estamos em uma Suíça ou Dinamarca ou Austrália. Quem trabalha com as precariedades da escola pública brasileira, e são 80% de professores, sabe que é uma proposta excelente, mas Deus sabe lá como precisam fazer das tripas coração para conseguir o mínimo do mínimo. Incrivelmente, alguns professores carismáticos conseguem mais do que o esperado.

?Incentive a elaboração de páginas para atividades beneficentes - É inegável que a divulgação de qualquer produto, serviço ou evento atinge um número superior de interessados quando é feita online. Diante disso, os professores podem estimular a criação de páginas nas redes sociais em benefício de alguma boa causa. O tema da página pode ser dedicado a diversos assuntos, entre eles: bullying; inclusão de pessoas com necessidades educacionais especiais na rede regular de ensino; dificuldades de aprendizagem; direitos humanos, visando preservar a dignidade humana; preservação do meio ambiente.

Além de criar páginas sobre esses assuntos, os discentes também podem aproveitar o grande alcance das redes para promover eventos beneficentes em prol de orfanatos, asilos, instituições de apoio ao câncer etc. É importante ressaltar que o conteúdo da página deve ser todo escrito pelos alunos. Assim, além de criar um ambiente interativo, enriquecedor e formador de cidadãos engajados, o docente de português, por exemplo, também poderá incentivar a produção textual e avaliar a capacidade de escrita dos educandos?.

Essa proposta me parece muito interessante. Vários professores já realizaram algo igual, próximo ou parecido com essa proposta. A grande dificuldade de professores e alunos é ter um Wi-Fi decente na escola, para execução das atividades de forma coletiva e cooperativa. As conexões de internet ainda são muito precárias nas escolas. Isso quando existem e funcionam.

Apesar do meu pessimismo militante, sei que, Brasil afora, existem professores que conseguem ?tirar leite de pedra? e realizam grandes milagres da multiplicação da paciência e da resiliência, da superação e da promoção humana e cognitiva de alunos para bem além do esperado. Mas não é essa condição que defendemos para os professores. Eles merecem dignidade e decência nas condições de trabalho e de relações pedagógicas com seus alunos. Lutemos, irmãos!

Disponível em http://blog.qmagico.com.br/tecnologia/4-didaticas-para-usar-o-celular-em-sala-de-aula/. Texto discutido e com alteração de título. Acesso aos 30/setembro/2018.

 

 

José Antônio dos Santos

Mestre pela UFSJ e membro ACLCL

Contato: joseantonio281@hotmail.com


Escrito por Educação, no dia 19/10/2018