Pesca


Em busca da natureza preservada



Na pescaria, como em outros segmentos da vida, existem os modismos. Alguns locais ficam em evidncia durante certo tempo e depois, praticamente so esquecidos. Muitas vezes, devido ao sumio dos peixes. Os pescadores de Lafaiete, claro, com algumas excees, tem a fama de s abandonar um local depois de praticamente acabar com todos os peixes. S para lembrar alguns destes locais: rio So Joo (Inhama), rio So Joo (Torneiros), Jorge, Jorginho e Jorjo, Crrego dos Veados, rio Pedro Moreira, e rio Pico, entre outros, que foram explorados at a disseminao quase total do local.
No momento, tem-se falado muito do rio Sambur, na regio prximo a So Roque de Minas, na serra da Canastra, local prximo nascente do rio So Francisco. Meu amigo e velho pescador Penido, no auge dos seus 84 anos, ainda esbanja disposio e sade para descobrir locais promissores. Pelo que dizia, fiquei curioso para conhecer o Sambur, e na primeira oportunidade l fomos ns. Chegamos ao local numa quarta-feira aps o almoo e j nessa tarde, tivemos a oportunidade de fisgar piaus (trs pintas, campineiro e paipara), mandis e lambaris.
Alis, no local ocorre um fato interessante: difcil fisgar um lambari, mas quando se consegue aquele famoso ?bitelo?. Queramos tentar umas corvinas, que devem ser abundantes na regio. Mas, infelizmente, no se consegue um lambari pequeno para isca. Acima da qualidade dos peixes est a beleza natural. So rochas de pedras enormes, em abundncia, que foram escavadas pela gua do rio ao longo de centenas de anos, formando cavernas onde possvel mensurar o quanto a natureza nos reserva de paisagens, cuja dimenso foge ao controle do homem. Em algumas dessas pedras, desce uma corrente de gua, formando chuveiros naturais.
Nos grandes rochedos nascem rvores de todos tamanhos, formando uma combinao muito bonita de se ver. Onde no existe rocha, tem uma floresta intocada, montada em grandes aclives, o que torna praticamente impossvel a pesca desembarcada. No vimos nenhum pescador de barranco. Alis, chama a ateno o quanto o local ainda preservado. Subindo o rio, encontra-se o cruzamento do rio So Francisco com o Sambur, onde ocorre um fenmeno interessante: apesar de ter o dobro de largura e volume de gua, o Sambur passa a se chamar So Francisco, que mesmo nesta poca fica praticamente sem condies para navegao, mesmo com motor pequeno. Pescamos dois dias, tiramos muitas fotos e tudo foi muito agradvel, com exceo da estrutura local, que muito ruim e turisticamente muito mal explorada. Distncia at o local, 360 km, sendo 11 km de estrada de terra.



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Escrito por Pesca, no dia 30/05/2018


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